Hoje não vai ter show, alguém mudou de idéia

ou Não é Só Mais Uma História de Putaria. Ocorre é que eu tenho muitas histórias para contar, mas não tenho muito tempo. Então meses se passam sem que possa escrever uma linha sequer.

O motivo de estar escrevendo hoje e que parei, não consigo fazer mais nada que preste. Nem escrever, na verdade. As idéias estão ainda um pouco desconexas.

Tudo começou como se fosse um dia daqueles comuns: noite mal dormida por conta do calor, a noite mais quente desde que começaram a medir sistematicamente, isso lá pela década de 1940, segundo o cara do rádio. Depois trânsito, nada interessante no trabalho, isto é, os mesmos problemas de sempre. As vezes é até melhor que seja assim.

Lá pelas 10, remedinho para pressão, remedinho para o colesterol, remedinho para a fome. As 12:00, almoço. Só uma saladinha. Na volta, o calor ainda está de matar, pelo menos a mulherada fica mais solta. Mas isso não vem ao caso.

O que vem ao caso é que, ao passar no McDonalds, como sempre e para não perder o costume, só de brincadeira, eu falei, como faço todos os dias, ao cara que foi almoçar comigo.

- Vai pagar o McFlurry?

Acho que aquele velho ditado, água mole em pedra dura, esqueci o resto, funciona mesmo. Pois hoje, depois de meses ouvindo a mesma coisa, ele resolveu pagar.

Estavamos na fila, quando ouvi uma voz que me lembrou alguém familiar. Como faria o Leão da Montanha, utilizei a saida estratégica para a direita e me posicionei perto de uma coluna. Não era só a voz que era familiar, o rosto, os olhos um pouco verdes, o corpo esquio.

Ela olhou, eu olhei, desviamos, nos olhamos e assim foi indo.

Eu não tenho 100% de certeza porque as pessoas envelhecem, mudam um pouco com o tempo. E sete ou oito anos é uma quantidade a se considerar. Sinais caracteristicos ela não tinha, ou não lembro mais.

De novo, uma tatuagem, semi escondida na nuca, a nuca de doce sabor. Beijos, mordidas e lambidas, disso não me esqueço. O que ajudaria a indentifica-lá seria uma oclusão, mas quando nos separamos (tá o primeiro e único até agora, grande nabo da minha vida), estava fazendo exames para colocar aparelho ortodontico de forma que fiquei sem saber se colocou ou não.

Como não falei com a tal mulher tampouco ela comigo, ficarei para sempre na incerteza, e assim vezes é melhor assim. Fato é que, depois desse suposto encontro casual, fiquel mal.

Acometido de uma tremenda nostalgina e com contade de me enterrar em um buraco, sem duplo sentido, por favor, fundo.

O tal McFlurry ficou sem sabor, talvez nunca consiga experimentá-lo movanente. Agora até o sol se foi, e já posso ouvir uns trovões.

Agora a lembrança de outros tempos está sentada frente a minha mesa. Ela me fita e eu a fito, não trocamos palavras, mas sabemos do que passou. Cada centimetro de asfalto do longo e tortuoso caminho até parada de taipas é uma memória, e embora já não lembrar perfeitamente do seu rosto nem reconhecê-la com certeza, posso repetir cada uma das palavras que me disse, posso relembrar cada atimo dos momentos, e foram tantos e tão poucos, que passamos juntos.

Se pudesse agora eu te diria Tatizinha linda, meu amor. Ma eu não posso. Não faz mal. Talvez você não possa, e o mais provável é que nem queria, mesmo escutar.

Amigos leitores, foi mal o desabafo, mas c’est la vie, ou como diria um velho amigo, parodiando o velho ditado nem tudo são fodas.

~ por M em 03/03/2009.

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